Desabafo de uma mãe (no caso eu)

Sabe que me sinto triste em não trabalhar fora? Sou tão jovem, com talentos, vontades, dons e fico em casa (modéstia a parte).
Ok, ajudo meu marido na área de Marketing da Clínica e agora algum voluntariado em uma ONG, mas continuo sentindo que vira e mexe me anulo (sim, volto com o mesmo assunto).

Minha mãe não trabalhou depois que nos teve (2 filhas) ela e meu pai acreditam que mulher fica em casa e cuida dos filhos, marido e trabalhos domésticos. Cresci com o mesmo pensamento e acho que está mesmo certo, que quando cuidamos, educamos a “herança do Senhor” não há nada mais gratificante.

Mas ao mesmo tempo penso: – Poxa mas hoje em dia todas trabalham, os filhos ficam nas escolinhas ou com babá e elas não tem filhos marginais, bandidos… Ai penso em outras amigas que estão em casa a cuidar dos filhos, cansadas, às vezes exaustas mas felizes e satisfeitas.

Fico muito dividida, 50% de mim quer trabalhar fora e 50% não…
Hoje comecei a atualizar meu CV mas no meio pensei:
– E meu filho vai ficar na escola das 7 às 17 ou 18h? Pra ganhar um dinheiro que Graças a Deus não preciso porque meu esposo consegue nos sustentar? Só para ocupar meu tempo? Me sentir útil? Pra ter “meu dinheiro”?
Vale mesmo a pena meu filho ser criado por uma professora que mal conheço? Nem sei o q ele vai mesmo aprender? O q ele vai copiar dela? Pq eles apenas repetem o que vêem nessa fase ainda mais se ficar com ela durante 10h ou 11h  (MEU DEUS 10 ou 11h ?! É DEMAIS)

Ai desisto de trabalhar fora … Mas vira e mexe a vontade vem…Oh que dilema.
Quero, as vezes, abraçar o mundo pra me sentir útil e ocupada, sim porque minha cabeça acha que devo estar sempre muito ocupada e que deitar ou ver um filme ou ler um livro enquanto o filho dorme e o marido trabalha é coisa de mulher preguiçosa (acho que pirei de vez).

Mas o que queria era mesmo acordar de manhã, levar o Ben na escolinha (não para aprender, saber ler, escrever, nada disso, apenas para brincar se divertir e conviver) e voltar para casa, fazer exercício físico, atualizar meu blog e ig @mamaenafrica , preparar um almoço para minha família, buscar meu filho as 11h40 e passar a tarde inteirinha com ele.

Mas não consigo, às vezes corro corro e não chego a lugar nenhum apenas pra me sentir “útil”.

Mas um novo ano vem ai, vida nova, se Deus quiser… E se Ele quiser farei o q me faz feliz… Não trabalhar fora, mas me dedicar a minha família, meus projetos pessoais, relaxar e ser feliz.

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5 comentários

  1. Duro dilema esse. Injusto. Recorrente. Mas para achar a solução para essa busca pela realização, valorização, só passando por ele mesmo. A gente se descobre. Se reinventa. É um equilíbrio entre uma coisa e outra, mas nada como o valor do simples, da rotina despretensiosa, nunca me determinei a essa rotina, mas hoje, não quero mais nada. pode ser que eu mude de ideia lá na frente, e no passado não tinha me encontrado ainda, mas olha… duro dilema! rs

  2. Boa Tarde,
    Acho muito interessante a questão que levanta e existem realmente culturas bem diferentes.
    Em Portugal são raras as excepções em que a mulher fica em casa, por dois motivos: as mulheres são cada vez mais independentes e é muito difícil o Marido “ganhar para a casa” sozinho. As rendas são caras (quase ninguém consegue construir ou comprar sem pedir empréstimo), alimentação também, ensino pagasse, enfim. Custo de vida alto para salários cada vez mais estagnados. No entanto, o casal cada vez se ajuda mais mutuamente. Ou seja, a mulher é Mãe, Dona de Casa e Esposa e consegue sem dúvida assumir os três papeis se tiver ajuda do companheiro.

    Não sou Mãe, mas espero um dia vir a ser, e se tivesse a possibilidade de escolher não sei o que faria. Não tenho dúvida quanto aos primeiros 12 meses de vida (certamente gostaria de ficar em casa), mas depois….Conhecendo o estilo de vida que tenho em PT optaria certamente por trabalhar.

    Acho que é importante ter outras rotinas que não ficar em casa a cuidar do filho e da casa. Não que seja “anular-se” e que não seja um papel importante, mas acho que, os filhos crescem e é importante frequentarem creche, contactar com outras crianças. E para nós é importante para valorização pessoal.

    No entanto, o caso muda de figura se opta-se por ficar em Angola e ter um Filho. Em primeira instância, ter um filho por cá estava completamente fora dos nossos planos, devido à segurança, saúde e ensino. O nosso filho não teria qualidade de vida, tendo por base o que existe em PT.

    É injusto fazer comparações (mas inevitável), pois não quero ser mal interpretada, mas a verdade é que estamos habituados a muito melhor (e não falo de dinheiro) e infelizmente Angola ainda deixa muito a desejar em vários aspectos.

    Contudo, se engravidasse em AO, deixaria certamente de trabalhar para cuidar do meu filho. Mas (in)felizmente essa não é uma opção, pois o nível de vida em AO também está cada vez mais caro e manter-se aqui a trabalhar apenas um, seria quase impossível.

    Beijinho*
    MR<3

    • Ciça, ele ainda vai na escolinha, no Lobito onde eu vivia começou das 7h as 11h, depois das 7h as 16h (porque comecei a trabalhar) mas minha consciência sempre pesava porque achava tempo demais.
      Ele AMAVA o que me deixava mais aliviada mas mesmo assim era tempo demais. (eu amo a ex escolinha dele, chorei quando despedimos, são carinhosas, amorosas, amavam muito o Ben porque ele é muito simpático, carismático, beijava, abraçava as professoras, pra ele não tem mal humor)… ai meu coraçao rs.
      Ben é muito ativo como o pai, então por mais que eu invente milhões de brincadeiras sempre quer mais então a escolinha é importante para ele.
      Também porque aqui não tem criança nenhuma ele passa dias e dias apenas com adultos e sábado vai a escolinha sabatina mas não é um lugar para brincar, correr, tem a convivência mas claro com o respeito por estar na casa de Deus.
      Agora ele vai na escolinha das 7h as 12h (não é bem 7h porque eu não o acordo para ir, não quero que ele tenha essa responsabilidade tão cedo, quero que acorde, se troque, coma tranquilo e vá para brincar apenas).
      Não quero e não tirá-lo da escolinha, ele adora os “culegas”, as professoras, as músicas, as brincadeiras…
      Então das 12h até as 19h quando ele vai dormir ficamos juntissimos, grudados….
      E assim estamos todos felizes…
      E o seu pequeno? Sempre com você né? =) lindeza…
      Pensa em colocá-lo na escolinha?

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